Laser Informações e considerações

Como definir o Laser Light

O novo Laser Light é um laser cosmético de Nd:YAG Q-Switched com uma longevidade de onda de 1064nm ideal para a eliminação de tinta preta.

Para além disso conta com um filtro Ktp que vai abranger uma maior gama de cores, podendo eliminar até aos tons vermelhos, azuis e castanhos, dependendo da composição dos mesmos.

Laser Q-Switched

O Q-Switched de um laser é um mecanismo usado frequentemente para controlar a saída de luz, concentrando essa mesma energia em explosões intensas, ou numa seria de impulsos por segundo.

O laser Light Q-Switched, emitirá um rápido e poderoso pulso devido à sua alta energia e curta duração de impulso de laser para fazer/induzir a fototermólise selectiva.

O laser Nd:YAG Q-Switched é um laser em estado sólido que contem um cristal de ítrio de alumínio [YAG] dopado com neodímio [Nd] que são iões. O Nd:YAG é colocado dentro da cavidade do laser onde as lâmpadas de xenônio vão exaltar os iões de neodímio para proporcionar uma emissão de 1064 nm com pulsos de 5 a 20ns.

A duração do comprimento de onda YAG permite uma penetração mais profunda, além de que, a luz interage a menos de 1064nm, com espectros de absorção de melanina, diminuindo assim a incidência da hipopigmentação.

A vantagem do laser YAG é que ele pode ser modificado com a “duplicação da frequência” ou “geração harmónica”; A luz é transmitida através de um crista Ktp que produz uma luz verde num comprimento de onda de 532nm, que vai actuar sobre os tons vermelhos, amarelos e brancos.

O laser Light apresenta uma grande vantagem para o tratamento de tatuagens em pacientes de pele mais escura. O comprimento de onda de 1064nm trata efectivamente da tinta preta e a definição do Ktp trata os tons mais claros como também as varias gamas das cores roxas. A principal desvantagem deste laser é o alto custo.

Mecanismo de acção

A fagocitose dos pigmentos é feita pelos macrofagos sendo este o principal método de eliminação.

No entanto o mecanismo de acção mais preciso para a remoção de tinta da tatuagem pelo processo de laser Q-Switched não é completamente conhecido, depreende-se que parte da tinta da tatuagem é eliminado com o tratamento pós crosta e desprendimento da mesma.

A razão da tinta da tatuagem amadora ser eliminada mais facilmente do que a tinta da tatuagem profissional é por esta ser menos uniforme; a distribuição da tinta ser mais superficial na derma; como também a quantidade de partículas da tinta se encontrarem mais individualizadas.

Com a aplicação do laser o pigmento da tatuagem é encontrado nos “linfonodos parciais”, acredita-se que o pigmento é removido pelos menos parcialmente através do sistema linfático.

Como resultado, as tatuagens localizadas nas extremidades distais podem exigir mais tratamentos devido à diminuição da drenagem linfática, enquanto aquelas que são localizadas centralmente poder ser eliminadas facilmente.

Anestesia e a remoção de tatuagem

A dor é muito pessoal, embora alguns pacientes possam renunciar a anestesia, a maioria dos pacientes vai exigir algum tipo de anestésico local. Sendo completamente desnecessário o uso de anestesia no que se refere à remoção de tatuagem a laser, o pré-tratamento pode incluir a aplicação de um creme anestésico sobre a região que se pretende trabalhar, tendo este como tempo de espera para a sua actuação 30 a 45 minutos.

O uso de anestesia tópica irá accionar um ou dois tratamentos complementares, pois está provado que o uso de anestésicos poder provocar edemas mecânicos espalhando a tinta da tatuagem, o que torna mais difícil para a luz do laser actuar sobre as partículas da tinta.

Antes do procedimento poderá ser administrado um analgésico, o que aliviará a dor. No entanto, não utilize nenhum analgésico com base de ácido acetilsalicílico (AAS).

Considerações pós tratamento

Logo após o 1º tratamento a laser é frequente observar-se uma coloração branca na epiderme, com ou sem presença de sangramento.

Esta coloração branca dá-se como resultado do calor formado por vapor e gás, que via provocar uma vasodilatação epidérmica e dérmica.

A presença de sangramento representa lesão vascular das ondas foto-acústicas em interacção com o pigmento da tatuagem.

Poderá dar-se a presença de um mínimo edema e eritema da pele adjacente, o que é normal, e costuma desaparecer em 48 horas.

Em seguida aparece uma crosta sobre toda a área tratada da tatuagem que vai desaparecendo em aproximadamente 14 dias após o tratamento.

É possível a presença de pigmento na superfície da crosta, não sendo necessário a aplicação tópica de pomada antibiótica, ou curativos, apenas será indicado o uso de pomada cicatrizante.

Após as 5/6 semanas e dependendo da resposta clinica observada, será diagnosticada, a nova frequência de laser utilizada nas sessões procedentes.

Efeitos colaterais e complicações

O laser Light é um laser de ultima geração. É um aparelho que emite um disparo de luz acústica em apenas 5nm de segundo, não dando tempo para produzir danos de um grau maior sobre a pele. Os disparos só produzem efeito sobre a pele pigmentada.

Após os disparos aparecem algumas alterações transitórias na pigmentação da pele. Estas alterações desaparecem entre 6 a 12 meses, só em casos muito específicos podem permanecer permanentemente.

A hiperpigmentação está relacionada com o tipo de pele do paciente, sendo os fototipos IV e V os mais propensos a uma maior despigmentação independentemente do comprimento de onda utilizado.

Normalmente o uso diário de “hidroquinonas” e protetores solares de alto fator UV resolve a hiperpigmentação dentro de poucos meses, embora em alguns pacientes a resolução poderá ser prorrogada.

As alterações textuais transitórias subcutâneas são ocasionalmente observadas mas geralmente resolvem-se em questão de poucos meses. No entanto alterações das estruturas cutâneas com cicatrizes ocorrem muito raramente.

Se o paciente está propenso a alterações pigmentares serão recomendados tratamentos com intervalos mais longos entre si.

É recomendado no caso de aparecer formação de bolhas ou cicatriz a não manipulação das mesmas pois poderá haver o risco de desenvolver uma cicatriz.

Além disso pacientes com história de hipertrofias ou queloides precisam de ser avisados do risco que correm da possível formação de uma pós cicatriz.

A pacientes que tenham tido reacções alérgicas ao tipo de pigmento utilizado na tatuagem é recomendado a possível informação sobre o mesmo, pois com a utilização do laser sobre esse mesmo pigmento poderá desencadear possíveis reacções idênticas. Estudos diversos sobre o pigmento da tatuagem têm mostrado que um série de pigmentos contendo “óxido de ferro” ou “dióxido de titânio” mudam de cor quando irradiado pelo laser.

Algumas corres incluindo tons de pele, pêssego, branco, castanho claro como também pigmentos criados tais como verde claro ou azul marinho, poderão sofrer alteração para negro ou cinza, o que pode exigir mais tratamentos para a remoção perfeita do pigmento.

Melhores opções para os pacientes

Os métodos de remoção de tinta de tatuagem têm uma história quase tão longa como a da tatuagem em sim. Os métodos de remoção anteriores deixavam pacientes com dor, descoloração e alterações nas estruturas dos tecidos cutâneos, como também rastos de pigmento residual.

A nossa capacidade de remover tatuagens tem avançado muito na ultima década, e as modalidades anteriores de remoção de tatuagens foram substituídas por técnicas de laser altamente selectivo.

O uso do laser Q-Switched tem sido capaz de ajudar a grande maioria dos pacientes que procuram a remoção de tatuagem, oferecendo um baixo risco e terapia altamente eficaz com efeitos colaterais mínimos, sendo considerado o tratamento padrão para este tipo de tratamento.

Equipamentos para a remoção de tatuagens

Actualmente existem 3 equipamentos QS diferentes e disponíveis no mercado, e todos removem tatuagens amadoras e profissionais, que incluem os tipos de laser: neodímio; ítrio-alumínio-garnet (QS Nd:YAG; 532nm e 1064nm) a Alexandrita (QS:Alex, 755nm) e o laser de Rubi (QSRL, 694nm).

Embora todos eles possam oferecer uma excelente resolução em relação à tinta da tatuagem também podem causar a descoloração da pele, sendo estas alterações pigmentares transitórias, mas podendo também ser permanentes.

Os efeitos colaterais indesejados, incluindo alterações pigmentares que ocasionalmente podem ocorrer com o uso destes equipamentos e embora amplamente reconhecidos pelos especialistas de laser, não foram claramente qualificados na literatura medica.

Os pontos posteriores abordam a descoloração indesejada incluindo a hiperpigmentação, hipopigmentação e despigmentação, que poderá acompanhar a tinta da tatuagem com os lasers QS.

Problemas pigmentares com laser QS

Hipopigmentação

É a mais comum quando o comprimento de onda do laser é bem absorvido pelos melanócitos. A QS Nd:YAG 1064nm tem o comprimento de onda mais longa e profundamente penetrante, com o mínimo de risco de alteração dessa mesma alteração, sendo a escolha de laser mais seguro para a remoção de uma tatuagem em peles de fototipo IV e V. No que se refere ao laser QS Nd:YAG 532nm pode causar hipopigmentação de curta duração em qualquer tipo de pele devido à profundidade mínima de penetração deste comprimento de onda preservando os melanócitos foliculares. “Anderson Kilmer” observou que com o laser Nd:YAG (532) tratava efetivamente a completa remoção da tinta vermelha mas também levava a uma hipopigmentação temporária. “Fitzpatrick” e “Goldman” observaram num estudo que realizaram em 17 pacientes com tatuagens amadoras e profissionais, tratadas com Alex QS, que ocorreu uma pigmentação transepidermica em aproximadamente 50% dos casos.

Numa posterior comparação dos lasers Nd:YAG e QSRL no que se refere ao tratamento de tatuagens de coloração azul e preto; o QSRL teve maior incidência de hipopigmentação de longa duração, enquanto que o Nd:YAG não teve incidência na hipopigmentação, e o mesmo aconteceu na comparação do laser Rubi realizada pelo “Geonemus”, chegando à conclusão que a hipopigmentação foi mais frequente com o laser Rubi QS do que com o laser QS Nd:YAG.

Figura 1. Tatuagem a negro antes do tratamento

Figura 2. A mesma tatuagem mostrando uma reduçāo significativa de tinta e hipopigmentaçāo transitória após 3 tratamentos com Qs Nd: Yag (1064)

Hiperpigmentação

“Kuperman Beade e Levine” notaram que a hiperpigmentação e as alterações da estrutura cutânea são raros efeitos adversos do laser QS Nd:YAG. Num estudo de 36 tatuagens tratadas com QS Nd:YAG a incidência de hiperpigmentação observada foi 5,6% dos casos. Uma causa frequente de hiperpigmentação que os pacientes atribuem incorrectamente ao uso do laser QS Nd:YAG deve-se ao uso impróprio de blocos de gelo, fitas adesivas, bem como dermatites de contacto alérgicos ou cremes antibacterianos tópicos.

Despigmentação

Após a utilização do laser QS Nd:YAG o feito colateral da despigmentação ocorre mais raramente do que a hipopigmentação. Kilmer e Anderson observaram que o uso do QSRL está frequentemente associado as alterações pigmentares transitórias, incluindo despigmentações raras.

Figura 3. Tatuagem a negro antes do tratamento

Figura 4. A mesma tatuagem, mostrando a reduçāo de tinta e hiperpigmentaçāo transitória após 5 tratamentos com o laser QS Nd:YAG (1064nm)

Pacientes e métodos

Um estudo realizado sobre as alterações pigmentares após a remoção de tatuagem, que incluiu 34 mulheres e 16 homens com fototipos de pele compreendidos entre o tipo I e o IV, e idades compreendidas de 23 a 63 anos, sendo que as tatuagens eram localizadas em diferentes áreas, todas elas a preto e realizadas tanto por tatuadores amadores e profissionais, depois de receberem entre 3 a 13 tratamentos (com media de 8,43), com o dispositivo de laser QS Nd:YAG, com intervalos de pelo menos 6 semanas, foi observado numa consulta de acompanhamento feita 6 a 8 semanas após o final do tratamento, que os pacientes que foram avaliados e examinados para a hipopigmentação, hiperpigmentação ou despigmentação não sofreram quaisquer alterações pigmentares graves, sendo as restantes classificadas por leves ou moderadas.

Daí concluiu-se que a taxa total de alterações pigmentares do tratamento realizado com o dispositivo QS Nd:YAG (1064nm) foi de 30% para todos os pacientes. Entre eles a presença de hiperpigmentação ligeira em 16%, hiperpigmentação moderada de 4%, hipopigmentação 2% e hipopigmentações graves 1%, não havendo casos de despigmentação.

Pós-tratamento para alterações pigmentares

Para os pacientes que solicitam operações de tratamento relativos à descoloração, podemos oferecer as seguintes abordagens:

  • Hipopigmentação pós inflamatória secundaria à dermatite de contacto (devendo esta ser descartada), quando esta está determinada a ser uma causa o paciente deverá excluir a possibilidade de apanhar sol, e tomar medidas como aplicações frequentes de “hidroquinonas”.
  • Para pacientes com hiperpigmentação secundaria o uso de hidroquinonas e factores de proteção solar na área afectada será o mais aconselhado.
  • Por outro lado pacientes com hipopigmentação poderão aplicar sobre a pele adjacente hidroquinona e factor de proteção, evitando o local central da área despigmentada, isto fará com que a condição menos perceptível como o retorno da pigmentação ocorra.

Utilizando o laser como tratamento de remoção de tatuagens, o prazo normal entre sessões de tratamento é de 6 semanas, sendo então aconselhável marcar os pacientes com alterações pigmentares com intervalos mais longos entre tratamentos.

Em resumo, apesar da remoção de tatuagem a laser se tratar de um procedimento seguro, poderão estar associados efeitos colaterais indesejados (incluindo as alterações pigmentares).

Antes de se iniciar o tratamento de laser com Q-Switched, os pacientes que procuram a irradiação da tinta da tatuagem devem ser informados dos efeitos que podem ser temporários ou permanentes, como também das alterações pigmentares que possam vir a ocorrer.